Ai, cansei. Cansei da ninharia, do jeitinho, da malandragem. Cansei dessa palhaçada de legislador de causa própria, de bandidagem, de dinheiro público em bolsa de deputada. De dinheiro público de estrada em conta de partido. Cansei de você, Pagot. Cansei dos que roubam e sorriem, fazem chacota de nós, otários, brasileiros, bons e eternos selvagens. Cansei dessa mamata, da resignação nossa de cada dia. Cansei da urna, cara. Enchi da política do fato consumado, do Brasil do futuro, de Brasília moderna de um arquiteto que parece não ter nascido com pernas, e sim com rodas. Cansei da minha preguiça, da sua indolência, da minha imprensa. Cansei dos ricos, que nunca dão entrevista, mas se exibem periclitantes em carros mais altos do que eu e você, juntos. Cansei dos pobres, coitados, sempre tão pobres. Reclamam só quando provocados. Cansei da rotina, das palavras “crise” e “econômica” eternamente conjugadas. Um vai e vem de países a beira de um abismo sem que o vento ou um amigo da onça jamais dê o empurrão final. Cansei do dreadlock, dos esquerdistas, de Bolsonaro e suas ofensas bem pensadas. Cansei de Serra. E de Lula, Ganso e Pato. Oh, povo sem talento para apelidar. Cansei de escrever e não dar em nada, nem meu crédito na CBN. Cansei da conta rota, do dinheiro parco, do tim tim por tim tim. Cansei da TIM e sua internet móvel lenta. Cansei tanto que enruguei dormindo mal. Maldita idade, maldita pele suscetível ao tempo. Enchi o saco da mesma piada, da Madame Malvada, de você e eu reclamando ao mesmo tempo como aqui faço com veemência sem a menor necessidade.